'Cause God knows it's not safe with anybody else…
‘Why am I dealing with this feeling?
I’m maxxed out like a credit card.
I’ll continue to be my worst enemy.
It’s easy but it seems so hard.
You’re near but you seem so far…’
[‘Wasted & Ready’, Ben Kweller]
Essa semana descobri, por acaso, que há alguns anos sofri de uma doença que atinge quase 7 milhões de pessoas no Brasil, mas que, por não estar relacionada a algo físico, visível, fica guardada a sete chaves no interior das suas vítimas: o transtorno obsessivo-compulsivo, ou TOC. A Mary Jo me indicou a matéria de capa da Veja de algumas semanas atrás, com a Luciana Vendramini na capa, para entender melhor a coisa toda. A despeito dos casos extremos, relatados por pessoas que sofreram desse mal, me identifiquei com algumas coisas...
Pra começar, segundo a matéria, ‘quem padece de TOC é acometido por pensamentos intrusivos ou idéias recorrentes e, para aliviar a angústia causada por essas obsessões, desenvolve comportamentos repetitivos (...)’. Um exemplo? O personagem de Jack Nicholson em ‘Melhor é Impossível’. Refém da própria mente. Um exemplo real? Bom, lá pelos meus 14, 15 anos, me atormentava a idéia da morte dos meus pais ou de qualquer pessoa querida. Até aí, tudo normal, pois todo mundo se pega às vezes pensando nisso. Mas eu me mortificava com aqueles pensamentos; às vezes, quando alguém se ausentava além do comum da minha casa, imaginava que a tal pessoa [minha mãe, irmã, whatever...] já tinha morrido e era uma questão de tempo até a notícia chegar. Dava aquilo como certo, fatídico. Era como se eu já estivesse me preparando pro pior, para na hora estar mais forte. O que leva a outro ponto: desde cedo sempre acreditei que poderia me virar sozinho com meus problemas; nunca fui o tipo de amigo que desabafava, mas o que ouvia os desabafos e tentava ajudar os outros. Não via nenhum valor em compartilhar as minhas coisas, pois achava que ninguém entenderia mesmo... Então, talvez, esses pensamentos negativos fossem a minha forma de me ‘fortalecer’, by myself, sem precisar de ninguém. Sem contar que, antes de dormir, mentalmente tinha que pensar em todo mundo que eu amava, pedindo proteção a cada uma delas; caso contrário, era certo: no dia seguinte, alguém não estaria mais entre nós... Horrível, não? Pois eu pensava em cada pessoa da minha família; nos meus melhores amigos; nas famílias deles; em pessoas que admirava... Nossa!
Bom, mas assim como esse hábito surgiu do nada, foi-se igualmente. Segundo a revista, um detalhe em comum entre a maioria dos casos é justamente a baixa auto-estima. E, cá entre nós, a minha adolescência foi um poço quase seco de auto-estima.
Então tá… Ah! Só para registrar, no fundo acho que ninguém é 100% normal; no fundo, cada um tem suas manias e pensamentos, digamos, estranhos... E não há vergonha alguma em admitir isso! Antes eu e minhas loucuras do que muita gente chata e normal que vive por aí... 
PS.: Por falar em gente normal e anormal, estava eu na biblioteca da Fiesp [um paraíso, onde pode-se ler, entre outras, ‘Spin’, ‘Interview’, ‘Mojo’, ‘Rolling Stone’, além de livros e livros ótimos sobre arte...], lendo a ‘The Face’, quando me deparo com essa pérola, na seção de ‘perguntas e respostas’, de uma tal de Drea de Matteo: ‘What’s the biggest thing you own?’. ‘Probably my dog’s testicles. He’s still alive; he was just castrated. I just don’t like to throw things out. He was five, and they were big and impressive and they looked nice. I’ll always have them’. Detalhe: dei a maior risada no meio do pessoal ao ler isso! 
PS2.: Não devo ser normal mesmo... Depois de me divertir sozinho [o que é raríssimo em se tratando de Renato Barreto – ‘How ‘bout me enjoying the moment for once’, já diria Alanis...] na exposição ‘O Preço da Sedução – Do Espartilho ao Silicone’, no Itaú Cultural, passei em frente a uma espécie de bomboniere japonesa e comecei a fuçar nas coisas... Só pra resumir, saí da loja com um pacote de salgadinho de polvo... Ok, não nutro simpatia por polvos, mas era algo tão diferente que resolvi comprar... Ainda não abri o pacote... Estou com medo! Hehehe… 
Escrito por .::the wrong boy::. às 15h46
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O Primeiro Ano do Resto das Nossas Vidas...
‘The people dancing in the corner, they seem happy
But I am sad
I am still dancing in the coma of the drinks I just had
Does anybody want to take me home?
Does anybody want to take me home?
Take me to your house, and I’ll leave you alone
Of course I will, of course I won’t
It seems so tragic… But it disappears like magic
Like magic’
[‘Anybody wanna take me home’, Ryan Adams]
Os relógios estão prestes a acionar os fogos de artifício. Dali a alguns minutos já será meia-noite, já será 2004. Querer barrar pensamentos sobre mais este ano que se iniciará seria bobeira. Em meio a abraços e desejos de feliz ano novo, o que lhe importa, no fundo, é a sensação de que algo mudará. Num canto da sala, uma revista aberta. Folheando-a, acaba por descobrir mais uma matéria com previsões para os signos do zodíaco. Seria relevante dar crédito a essas projeções? Pois se todas despertam um otimismo irritante, mais fácil seria confiar nas previsões de sua imaginação: justamente por ser pessoal e intransferível, ela o guiaria de janeiro a dezembro em meio a sonhos [realizáveis ou não] e esperanças.
Mas resolve ler. Por curiosidade, acaba descobrindo uma certa semelhança entre os destinos ali traçados para os demais leitores daquela revista. Será que os deuses concederiam tanta felicidade a tanta gente assim? Bom, escorpião está logo ali.
Novos caminhos: A solução de muitos problemas começa numa mudança radical na sua forma de encarar o mundo. Neste ano, você terá a oportunidade de dar uma grande virada, inaugurando uma nova etapa. A tendência é romper um ciclo de pensamento que faz com que você se isole, com a sensação de que os outros impedem o seu movimento. Ao simplificar a vida e o seu processo emocional, talvez fique mais fácil entender o significado profundo da existência, que você tanto busca.
Aquelas palavras o incitaram a ir até o fim com aquela baboseira toda. Seu pragmatismo às vezes o impedia de dar seriedade a esse tipo de leitura. Mas aquilo soava como boa música. Deixava-se levar pela ilusão.
No amor: A necessidade de emoções intensas talvez leve a uma certa instabilidade emocional, principalmente entre maio e agosto. Em compensação, uma forte paixão surgirá neste período. Arrisque e aposte.
E riu. Como tudo aquilo poderia lhe acontecer? Bobagens dessa revista de dezembro de 2003. Sua vida era como uma ópera centenária e previsível, cheia de adágios, andamentos vagarosos e lentos, e poucos allegro vivaces, rápidos e brilhantes. Melhor fechar essa revista, pensou.
Antes de ir dormir, por alguma razão desconhecida, resolve procurar no dicionário o significado da palavra que dá título a um de seus filmes preferidos: serendipity. E acha: “o dom de fazer descobertas felizes, por acaso”. Segundo a explicação didática e definitiva, existe um conto, ‘Os três príncipes de Serendip’, que relata a história desses três, que saíram pelo mundo em busca de alguma coisa. Não descobriram exatamente o que procuravam, mas encontraram muitas outras possivelmente mais úteis do que as que buscavam. ‘Atirar no que se vê e acertar no que não se vê’.
Fechou o dicionário e deitou-se. Alguma coisa, naquele exato momento, indicava que havia sentido naqueles sinais. Acomodado em sua cama, sorriu, ao imaginar as supostas surpresas, descobertas e acontecimentos felizes e inesperados que o aguardavam em algum lugar do futuro. Serendipity, pensou.
Escrito por .::the wrong boy::. às 21h04
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I close my eyes… Oh God I think I’m falling…

‘And open up your eyes
Open up your eyes
Open up your eyes
Open up your eyes
Just open up your eyes…’
['Politik', Coldplay]
Escrito por .::the wrong boy::. às 10h19
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Nobody's perfect... What did you expect... I'm doing my best...

‘Tell me I’m wrong, but I feel so free and so small at the same time...’
[‘Tell Me I’m Wrong’, Eskobar]
Às vezes sinto como se fosse o personagem principal daquele filme ‘A Pequena Loja dos Horrores’. Só que, na minha versão, ao invés de uma planta exótica que se alimenta de sangue humano, o meu monstro cruel não tem forma: é simplesmente minha expectativa. É ela que me faz bancar o vidente charlatão e crer que o futuro sempre será melhor. Mas será? O fato é que, ao menor sinal de uma possível estabilidade satisfatória, começo a nutrir expectativas em relação a tudo. Só que a minha imaginação é grandiosa demais para acompanhar passo a passo a realidade.
Mas há um ponto convergente nisso tudo: outras pessoas também depositam expectativas em relação a você. E neste exato cruzamento estão te aguardando as cobranças. Seja no trabalho, seja com seus amigos ou família. Sempre há alguém esperando que você haja de maneira diferente. Mas é estranho, pois, no fundo, você não quer decepcionar ou magoar ninguém, só que às vezes isso se torna inevitável, pois um muro de concreto chamado ‘realidade’ está pronto para a colisão.
No trabalho, te cobram por produtividade, por metas e por rendimento. Você pode estar empenhado ao máximo em ser competente, mas não é o bastante: eles querem resultados visíveis, racionais, numéricos. Seu colega de trabalho pode ser o mais negligente possível e ainda assim conseguir melhores resultados e tapinhas nas costas dos superiores. Bah! Não que eu queira tapinhas nas costas, mas é frustrante perceber que todo seu esforço pode não ser reconhecido, somente porque a expectativa em relação ao seu desempenho não condiz com a realidade.
[Tudo bem, acabei de começar neste novo emprego, mas já dá para sentir uma sutil pressão psicológica por resultados...].
Outro caso auto-explicativo que comprova minha tese [se bem que minhas teses sobre a vida são questionáveis ao extremo, devido à minha, digamos, subjetividade aguçada...] refere-se à saudade. Se alguém te diz que está morrendo de saudades de você, mas esta ‘empolgação’ não é recíproca, qual seria a melhor saída? Dizer ‘também estou’; dizer ‘que legal’ [essa é péssima...]; ou não dizer nada e sem querer acabar magoando a pessoa em questão? Porque, se alguém te diz isso, no fundo ela quer que você diga que também está não só morrendo de saudades, mas em estado de coma de tanta falta que ela te faz. Mas talvez não exista essa ‘falta’. Por outro lado, se você dá a entender que está sentindo o mesmo, dá mais alimento àquele monstro que citei, a expectativa. Ou seja, é uma ciranda-cirandinha-vamos-todos-cirandar: você espera dos outros; os outros esperam de você.
Bom, a conclusão irrefutável é que é impossível agradar a todos. É impossível validar todas as expectativas. Ninguém é perfeito; logo, não há sentido em cobrar a perfeição alheia. Ou achar que se é perfeito e procurar sua vã perfeição nos outros. Não lembro muito bem do final da ‘Pequena Loja dos Horrores’, mas acho que o monstrão é destruído e todos vivem felizes para sempre... É isso.
‘Oh my life is changing everyday in every possible way
And oh my dreams it's never quite as it seems
Never quite as it seems …’
[‘Dreams’, Cranberries]
PS.: Trilha da semana:
‘La Valse D’Amélie’, Yann Tiersen
‘Jealous Guy’, Luna [linda essa versão!]
‘Dreams’, Cranberries
‘La Tristessa Durera [Scream to a Sigh]’, Manic Street Preachers [estou viciado nessa banda!]

Escrito por .::the wrong boy::. às 15h07
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Existem coisas conhecidas e desconhecidas. Entre elas estão as portas...
‘Well if this is a plan then I’m dead where I stand
I’ve been cursing the truth like I’m cursing my youth
But I know what it’s like to seem wrong when you’re right
Halleluiah I’m down and it’s finally happening’
[‘If this is a plan’, Delgados]
É... Agora não tem como voltar atrás: passaram os momentos de indecisão, aqueles segundos que antecedem a suposta certeza de ter escolhido o melhor caminho, e as portas foram abertas... Lógico que por trás delas havia muita coisa legal me esperando, como na Porta da Esperança. Fiz meus pedidos durante toda a minha vida e agora, sem o Silvio Santos, o prêmio apareceu pra mim...
Bom, nem preciso dizer que minha primeira semana como morador de São Paulo foi um capítulo emocionante dessa narrativa ordinária que é a minha vida! Afinal, estou acordando, convivendo, compartilhando e adormecendo com três das pessoas mais legais do mundo e trabalhando com pessoas engraçadas num emprego bacana, apenas por seis horas/dia. Ok, já tenho experiência suficiente para não cair nessa armadilha: quase todo emprego parece satisfatório no início, até que a cobrança, os chefes estressados, os colegas de trabalho malas e as tão almejadas ‘metas’ de desempenho entram no jogo e estragam toda a boa primeira impressão...
Mas deixa isso pra depois! O que importa é que sou um cara de muita sorte: a um dia do show do Teenage Fanclub consegui comprar meu ingresso, que, na verdade, garantiu não somente momentos fofos e lindos num show empolgante, mas também a oportunidade de rever outros amigos queridíssimos e receber as boas-vindas daqueles que são essenciais para garantir meu abastecimento de sorrisos e alegria... Confesso que, um pouco antes de começar o show, senti uma satisfação imensurável por estar ao lado da Mary Jo e do indefectível João, meus fiéis escudeiros, num momento tão único! E única também foi a chance da Mary Jo, que tirou uma foto ao lado do Norman Blake... Eita menina de sorte...
Mas também tive minha parcela do que poderia se chamar de ‘sorte’: eles tocaram as minhas duas preferidas! A saber, ‘Mellow Doubt’ e ‘About You’. Aliás, indico essas duas para quem ainda não conhece esses escoceses capacitados a criar canções singelas, até bobas, mas extremamente especiais.

Bom, o saldo disso tudo é que, em uma semana como ‘pessoa-adulta-que-faz-escolhas-que-mudam-repentinamente-o-rumo-da-sua-vida’, pude perceber que tomei uma decisão que, se não foi certa, pelo menos me garantirá momentos que eu precisava viver, precisava fazer parte. Ah! Só para aproveitar um pouco o ótemo livro 'Atrás das Portas', do Randall, duas frases que pareciam incrivelmente direcionadas a mim: ‘Lembra que o segredo da felicidade está na liberdade e o da liberdade, na coragem’ e ‘É incrível a força que as coisas parecem ter quando elas precisam acontecer’. Como diria o prof. Pasquale, ‘é isso’.
'With a star upon your shoulder lighting up the path that you walk
With a parrot on your shoulder, saying everything when you talk…’
[‘Judy and the Dream of Horses’, Belle & Sebastian]
PS: Um garoto não deveria ficar feliz por poder assistir trechos de um show do Placebo numa loja bacaníssima antes de ir trabalhar?! Ou por poder ficar sozinho no seu apartamento cantando e pulando ao som de ‘You Stole the Sun From My Heart’, do Manic Street Preachers?! É... Minha nova vida está muito legal mesmo... 
Escrito por .::the wrong boy::. às 22h05
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3 Easy Steps...
Primeiro: Se você não leu o post anterior, leia, por obséquio... Assim, você entenderá meu provável “sumiço temporário” deste famigerado blog... Hehehe... E me desejará boa sorte também!
Segundo: Dando continuidade à galeria de imagens legais da Madonna, de uma tacada só, três fotos, digamos, pouco óbvias... Intitulei o trio de ‘Take a Bow’... Embora ‘Who’s That Girl’ também servisse...
Terceiro: Se você quer aprender como o mago pop Andy Warhol fazia suas telas e ainda confeccionar a sua própria, até com foto da Madonna, vá até http://www.warhol.org/ e confira... No final, o que você criou vira um cartão fofo... E pop!
Té!

[1989 - 'Like a Prayer' era - Foto {acho} do Herb Ritts]

[2001 - 'Music' era - Foto de Regan Cameron]

[1993 - 'Erotica' era - Foto de Ellen von Unwerth]
Escrito por .::the wrong boy::. às 00h38
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